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O “Nushia” perdido na tradução

 

Você já leu que quando Imu fala, ele usa “Nushia”? Te disseram que isso significa “o amo” ou “seu senhor”? Que esse “Nushia” existe como um ser distinto dentro de Imu?

Hoje estamos aqui para desmentir grande parte dessas afirmações. Analisei CADA frase de/para/sobre Imu. Neste artigo vou explicar por que “Nushia” NÃO pode ser uma palavra usada por Imu para se referir a si mesmo. Ele a usa para se referir à pessoa com quem está falando. Vamos lá?

O problema comum

Vamos primeiro ao mais importante. Isso não é uma questão de atacar ninguém. O que aconteceu aqui é um erro muito comum. A palavra que Oda usa aqui (como quase sempre com personagens desse tipo) é propositalmente rebuscada. Por isso é NORMAL tê-la confundido se o contexto específico não foi levado em conta.

O que costuma acontecer com esse tipo de personagem é que esse contexto não vem completo na primeira vez que os vemos, e só mais adiante conseguimos entendê-lo e corrigi-lo de forma retroativa. Também acredito que é nosso dever comunicar isso quando percebemos, para que outros possam entender.

Como exemplo, muitas pessoas não perceberam que Kiku usava “Sessha” para falar na primeira pessoa. Isso foi omitido por alguns tradutores pois “era normal no japonês antigo”. Mas o detalhe estava no fato de que “Sessha” é usado por samurais do sexo masculino. Foi isso que fez Zoro suspeitar que havia algo ali.

Como eu dizia, esse erro é mais do que compreensível. Chama muito a atenção que Imu use “o amo te ordena que…”. Isso combina 100% com alguém como Imu, rei do mundo de One Piece com uma arrogância sem igual. Assim como muita gente interpreta o “Mu” como 3ª pessoa para falar de si mesmo. “Nushia” nos convida a pensar o mesmo.

A palavra “Nushia” (ヌシア)

“Nushia” é escrito em Katakana (assim como “Mu”). Isso nos afasta um pouco do texto “japonês puro”, já que o Katakana costuma ser usado para palavras estrangeiras ou termos que “não se encaixam bem” em determinado contexto.

Oda está nos dizendo que essa palavra “não é japonês padrão”, que o que estamos lendo “não é algo normal”.

No japonês moderno é muito tentador entender “Nushia” (ヌシア) como “amo” ou “dono”, já que, apesar de “Nushia” não existir em japonês, “Nushi” (主/ぬし) existe. Se buscarmos essa palavra, veremos que esses significados são os primeiros a aparecer em praticamente qualquer dicionário atual.

Como eu disse, na primeira vez que Imu a usou, fomos levados a pensar nessa palavra. Não só porque “Nushi” (主/ぬし) existe de fato, mas porque vimos Imu no alto do Trono Vazio olhando com arrogância para um “simples humano”, Cobra. Tudo isso enquanto Imu decidia com cuidado e arrogância quais dúvidas do rei de Arabasta iria responder.

Dizer “o amo” nesse momento é muito mais impactante e perfeito para a atmosfera que Oda criou no alto de Mary Geoise. Além disso, como mencionei, não é nada raro nem novo ver alguém com ares de grandeza falar de si mesmo na 3ª pessoa.

Como dado extra, foi por isso mesmo que muitos acreditaram na época que Imu era uma criança, já que em muitos diálogos infantis no anime e no manga vemos personagens dizendo o próprio nome no lugar de “eu” (ou simplesmente omitindo o sujeito).

Tudo isso muda quando temos mais contexto, como o que temos agora, onde nenhuma dessas leituras se sustenta ao vermos todos os usos de “Nushia” juntos.

Após essa “breve” introdução, vamos à explicação.

Como “Nushia” (ヌシア) é usado?

Agora que já entendemos que “Nushia” (ヌシア) poderia ser “o amo” ou algo parecido, basta olhar o texto original com isso em mente, verificando se sempre aponta para o mesmo sujeito: Imu. Quando fazemos isso, ficamos perplexos (pelo menos eu fiquei) ao ver que nunca, sem exceção, isso aponta para Imu. “Nushia” aponta para pessoas diferentes a cada uso.

“Nushia” só pode se encaixar em uma categoria gramatical, uma que muda de referente a cada pessoa que está diante de Imu. A 2ª pessoa. Imu a usa com pessoas como Cobra, Rocks, Brook, Loki e Luffy, entre outros.

Ao longo dos discursos de Imu podemos confirmar isso pelas partículas que ele utiliza. “Nushia” vem acompanhado de “が, を, の, は, ら/達”. Isso nos grita que se trata de um pronome pessoal em japonês, não algo que possa ser considerado um simples título apontando para Imu.

Exemplos de uso

SELECIONE QUAL EXEMPLO VER

O primeiro exemplo que quero mostrar é o que me fez levantar uma sobrancelha. Lendo o capítulo 1178 em japonês, percebi que Imu usava “Nushia” com “達” no final, formando “Nushiatachi” (ヌシア達). Aqui “tachi” (達) é usado para pluralizar, para se referir a duas pessoas. Um plural categorial. Isso deixa claro que Imu está se dirigindo a dois sujeitos, o que faz com que “Nushia” não faça sentido referindo-se ao próprio Imu.

ヌシア達さえこの世から消えればな…!!

— Gunkimu

Logo depois, Imu muda um pouco sua linguagem. Quando decide fazer o Reversi, sua fala muda para um plural possessivo. Ele faz isso unindo “Nushia” com “ら”, criando “Nushiara” (ヌシアら). Por um lado, voltamos a ver um uso plural de “Nushia” e, por outro, podemos ver como ele o usa como mais um pronome, já que sua atitude e linguagem mudaram, de um plural categorial para um possessivo ao fazer o Reversi. O mesmo que faria qualquer falante ao mudar de registro.

ヌシアら2人…!!憎しみ合え!!

— Gunkimu

O importante aqui é que “達” é o plural neutro. Isso faz com que Imu, inicialmente, os veja como um conjunto de obstáculos à sua frente. Nada mais, sem nenhum julgamento da parte dele.

Já “ら” tem um matiz distanciador, chegando quase a ser depreciativo. Não é um insulto propriamente dito, mas coloca o falante hierarquicamente acima de quem está sendo chamado. Em japonês, “ら” vindo de alguém como Imu soa como “vocês, os inferiores”.

Essa mudança é muito importante, nada é aleatório. Imu usa “達” quando pensa neles como um problema a resolver. Depois muda para “ら” quando vai fazer o Reversi neles. Nesse momento eles deixam de ser parte da conversa e passam a ser objetos do poder de Imu.

Qualquer falante faria essa mudança de registro dependendo de como trata quem está ouvindo. Isso é exatamente o que um pronome faz, não um título fixo.

Vemos o mesmo padrão antes com Dorry e Brogy, no capítulo 1150 ele fez o mesmo. Ao fazer o Reversi neles, no corpo de Gunko, usou essa forma de “ra” (ら) com eles, demonstrando também esse plural possessivo.

ヌシアらにこの国の支配を命じる!!

— Gunkimu

Em God Valley, capítulo 1164, pudemos ver um diálogo altamente esclarecedor. Quando Imu, no corpo de Saturn (D.E.P.), discute com ele sobre seu passado e a linhagem Davy. Imu diz a Xebec “Nem por um instante! ‘Nushia’ não tem nada a ver com a rivalidade entre ‘Mu’ e Davy!”. Se “Nushia” aqui se referisse a Imu, não faria nenhum sentido, já que estaria falando de si mesmo como alguém que não tem nada a ver consigo mesmo, apagando Rocks da conversa (a própria pessoa com quem está falando).

É por isso que essa frase deixa claro que “você não tem nada a ver com isso” é a única leitura coerente.

一瞬たりともない!!!ムーとデービーの因縁にヌシアは関係ない!

— Saturnimu

Nesse exemplo, o fato de Imu usar “因縁” para o vínculo é tão perfeito quanto difícil de traduzir. Isso aponta para o laço kármico através do tempo. Uma rivalidade entre Mu e Davy que durou tanto, tanto tempo, que deixa Rocks completamente de fora.

Também, como veremos mais adiante, ele usa uma forma literária ou arcaica para dizer “nem por um instante”. Algo fundamental para entender o diálogo de Imu, no qual vamos nos aprofundar em breve.

Nesse exemplo também, Imu usa “Nushia” com “は” (wa). Isso marca Rocks como excluído dessa rivalidade.

Com tudo isso, é muito possível que seja o melhor exemplo em que Imu usou “Nushia” de uma forma que aponta para alguém que não é ele mesmo. Toda essa frase só pode fazer sentido se for uma forma de dizer “você” em vez de “o amo” ou “eu”.


E “Mu”?

Agora que já deixamos claro o que é “Nushia”, vamos ver rapidamente “Mu”. Entender os dois nos ajudará a compreender ainda mais o erro de tradução com “Nushia”.

“Mu” segue exatamente o mesmo padrão de “Nushia”, mas espelhado. Temos “Nushia” como “você” e, neste caso, “Mu” como “eu”. Os dois juntos formam um sistema pronominal claro.

“Mu” é usado com が, は, を.

Exemplos de uso

SELECIONE QUAL EXEMPLO VER

No capítulo 1149 o vemos como sujeito ativo enfático, usando “が” ao falar com todo o povo de Elbaph sobre seu ataque. Imu diz “Serei eu quem vai mostrar a vocês! O poder divino!” enquanto possui Gunko. Nesse caso, mostrar (見せてやる) adiciona um matiz de superioridade, quase condescendente. Não é neutro. Seu poder divino (神の支配) também usa o mesmo termo para controle absoluto. É mais no sentido de governo ou subjugação do que no espiritual.

ムーが見せてやる…!! 神の支配!!!

— Gunkimu

No capítulo 1163 o vemos como dissociação, com um “は” contrastivo ao falar com Xebec sobre seu passado com Davy. Novamente, quando diz “Eu não faço nada” usa “何もせぬ”, voltando a usar uma forma negativa arcaica. Em vez de “しない”, a forma negativa atual, usa “せぬ”, mais um marcador de um registro antigo. Estou lembrando isso de novo pois será fundamental em um momento.

ムーは何もせぬ…

— Saturnimu

No capítulo 1179 o vemos como objeto, “Mu” recebe a ação: “Ainda me atormentam?”. Isso acontece quando ele está lembrando de interações passadas e vemos os pôsteres de Luffy e Teach rasgados.

まだムーを苦しめるのか…!!

— Imu

Especificamente, o exemplo do capítulo 1179 (まだムーを苦しめるのか…!!) é o mais importante de todos, pois elimina completamente a leitura como título, onde “Mu” funcionaria como “me” (ainda atormentam Mu / ainda me atormentam). Em especial, vale destacar que Imu usa “のか” como forma de pergunta retórica e acumulação de reprovação, e “まだ” implica que esse sofrimento vem de muito tempo atrás.

É assim que podemos ver como nem “Mu” nem “Nushia” (ムー ou ヌシア) são termos do japonês padrão. Estão escritos em Katakana e funcionam como um par de “eu/você”. Imu os usa de forma arcaica, possivelmente vinda do Século Vazio.


Os ecos do passado.

De onde vem “Nushia” (ヌシア)?

A forma de falar de Imu não é contemporânea. Como já vimos aqui, “Nushia” provavelmente vem de “Nushi” (主/ぬし), um termo usado no japonês clássico como segunda pessoa. Isso é algo que qualquer pessoa que assista Jidaigeki (時代劇/drama de época) pode encontrar na fala de samurais ou monges.

Isso se deve ao fato de que no século VIII, no Man’yōshū (万葉集/a mais antiga coleção de poesia japonesa), podemos ver “Nushi” aparecer em contextos poéticos como uma forma de se dirigir a alguém, equivalente a “você” ou “vós”. Vale destacar que não é seu uso predominante, mas está documentado.

O significado de “amo/dono” já coexistia com o de “você”. Com o tempo, o segundo foi desaparecendo do uso comum até os dias de hoje.

No Kojiki (古事記/o livro histórico mais antigo conservado sobre o Japão, do ano 712) e em outros textos do período Nara, podemos ver como “Nushi” (主/ぬし) é usado tanto para se referir ao “senhor de algo” quanto para se dirigir a outra pessoa como “você”. Fica claro como a fronteira entre “você” e “seu senhor” era bastante difusa justamente porque, nessa cosmovisão, falar com alguém era como falar com quem tinha autoridade sobre o espaço em que se encontrava.

Da mesma forma, o uso pronominal de Nushi está registrado no “Nihon Kokugo Daijiten” (日本国語大辞典/o dicionário histórico de referência da língua japonesa).

Todos esses exemplos deixam claro que isso não é uma “teoria” de One Piece, mas uma análise crítica sobre a língua japonesa e sua história. Não é minha interpretação, é lexicografia documentada.

O guardião do lugar

Também, como um detalhe extra, podemos ver que no folclore japonês o “Nushi” de um lugar é conhecido como o guardião daquele lugar. É muito possível que Oda use isso para caracterizar aqueles que possuem e guardam uma vontade própria, uma vontade contrária à de Imu. São “Nushias” de um ideal que não coincide com o dele. Se todos os que têm uma vontade são “Nushias” dela, Imu, ao ter a posse do mundo, seria o “Nushia do mundo”.

Clover já disse: são os ideais do Grande Reino o que eles temem.

Para “Mu” também podemos aplicar a leitura de “vazio” (無). Isso é muito curioso porque estaria fazendo com que Imu se chame de “o nada” enquanto chama os outros de “(antigos) donos do lugar/mundo”. Talvez Oda esteja usando isso de forma indireta. Quem sabe.

As três “さえ~ば” de Imu

e seu padrão psicológico

Voltamos ao tema da forma arcaica como Imu fala. Já vimos que não são apenas os pronomes, mas também as formas verbais e negações que um falante atual jamais usaria. Vou apresentar as evidências repetidas por Imu ao longo dos anos, que transformam seu “tique” de fala em uma estrutura mental clara.

Temos três momentos em que Imu usa uma expressão específica, sem variação:

  • 1164 (para Rocks): ヌシアさえ消えればな…!!! (Se ao menos você desaparecesse…)
  • 1178 (para Luffy e Loki): ヌシア達さえこの世から消えればな…!! (Se ao menos vocês desaparecessem deste mundo…)
  • 1180 (para Loki): ヌシアさえいなければあらゆる困難を回避できた (Se ao menos você não existisse, eu poderia ter evitado qualquer dificuldade.)

Esses três “se ao menos” de Imu são ouro para análise. Podemos ver como sua forma de falar não mudou nesses anos, permanece igual. Junto com suas formas verbais arcaicas, fica claro que seu padrão de fala é constante no tempo.

Os três são condicionais, mas a diferença clara está no fato de que nas duas primeiras vezes Imu expressa desejos condicionais voltados ao futuro. “Se você parar de existir, eu poderei…”. No terceiro exemplo isso muda completamente. Imu não deseja mais para o futuro, sonha com um passado diferente. “Se você não tivesse existido, eu teria podido…”.

Dessa forma podemos ver que é usado de forma natural em suas frases, eliminando a hipótese de um simples “tique” de fala. É uma obsessão que opera nas duas direções temporais.

Isso nos mostra que Imu usa “Nushia” mesmo quando seu desejo é apagar alguém. Aqueles que não são “Mu” são sempre “Nushia”. É um “você” externo ao seu ser. Aniquilar “Nushia” nunca é a si mesmo, mas ao outro.

Três vezes, duas épocas distintas. Imu permanece o mesmo em sua fala.

Negações, imperativos, partículas e formas literárias arcaicas

Gostaria de mostrar um pouco desses usos arcaicos da língua dos quais tanto falo.

SELECIONE QUAL EXEMPLO VER

  • 1150 (para Brogy): 常識と理性はヌシアを縛らぬ!! (A razão e o senso comum não te prendem!)
    • Aqui temos “縛らぬ” (shibara-nu) como forma arcaica, enquanto o moderno seria “縛らない” (shibara-nai) (常識と理性はヌシアを縛らない)
  • 1155 (para Xebec): ムーには何の脅しにもならぬぞ (isso não representa ameaça alguma para mim)
    • Aqui temos “ならぬぞ” (nara-nu-zo) como forma arcaica, enquanto o moderno seria “ならないよ” (nara-nai-yo) (ムーには何の脅しにもならないよ)
  • 1163 (para Xebec): ムーは何もせぬ… (Eu não faço nada…)
    • Aqui temos “せぬ” (se-nu) como forma arcaica, enquanto o moderno seria “しない” (shi-nai) (ムーは何もしない)
  • 1168 (para Harald): ヌシアはムーに逆らえぬ!!! (Você não pode ir contra Mu!)
    • Aqui temos “逆らえぬ” (sakarae-nu) como forma arcaica, enquanto o moderno seria “逆らえない” (sakarae-nai) (ヌシアはムーに逆らえない)

  • 1163 (para Xebec): ヌシアが一族を根絶せよ…!! (Extermine o clã…)
    • Aqui temos “せよ” (se-yo) como forma arcaica, enquanto o moderno seria “しろ” (shi-ro) (ヌシアが一族を根絶しろ)

  • 1155 (para Xebec): ムーには何の脅しにもならぬぞ (mesma frase vista nas negações)
    • Já vimos antes. Agora percebemos que “zo” e “yo” são partículas de ênfase final, onde “zo” nos faz entendê-la mais como um decreto enquanto “yo” nos leva a um ambiente conversacional. Ao unir “zo” com “nu”, o uso arcaico se reforça.

  • 1164 (para Xebec): 一瞬たりともない!!! (Nem por um instante!)
    • Já mencionamos antes, mas “一瞬たりとも” é uma forma literária usada para reforçar uma negação absoluta. Combina “たり” (forma verbal clássica) com “とも” (nem sequer). No japonês atual se diria “一瞬も”, mais curto e direto, sem peso literário. Ao usar isso, Imu adiciona mais um marcador de seu registro arcaico.
    • Vale destacar que ele usa “ない” (nai), mas não se trata da negação verbal independente que Imu normalmente evita. É uma construção fixa onde “ない” (nai) é parte inseparável da expressão. Portanto, não contradiz o padrão visto até agora.


Com tudo isso, a intenção é demonstrar que não trato “Nushia” como arcaico “levianamente”. É uma conclusão lógica formada através da análise de todas as conversas de Imu ao longo da obra.

Espera, de onde vem o “A”?

Você provavelmente ficou se perguntando de onde vem o “A” que Imu adiciona ao final de “Nushi”, a palavra que de fato existe em japonês.

Há várias possibilidades. Talvez Oda o tenha adicionado para dar um toque de estranheza, algo diferente para reforçar ainda mais que “não é japonês moderno / não é o que você imagina”.

Também pode ser uma adição do próprio Imu, uma terminação vocativa que o rei do mundo nas sombras incorporou.

O que não é, é um bordão de fim de frase como, por exemplo, Neptune. Este termina suas frases com “-jamon”. Enquanto Imu apenas adiciona o “A” para completar a palavra “Nushi”.

Conclusão

Vimos que “Nushia” e “Mu” formam um par pronominal (“você” e “eu”) em uma língua que não é o japonês moderno. Também vemos que Oda marca isso tipograficamente com Katakana, dando uma pista de “não pertencimento” ao restante do diálogo.

Toda a gramática (as partículas, plurais, vocativos, etc.) confirma isso sem ambiguidade, assim como a origem de “Nushia” no arcaico “Nushi” (主/ぬし). O padrão “se ao menos” (さえ~ば) nos mostra que a língua não é decorativa, é 100% operacional. É assim que Imu pensa.

A solidão de quem tem tudo

Imu não compartilha essa língua com outros personagens. Nem o Gorōsei nem nenhum outro Tenryūbito a usa. É algo exclusivo de Imu, um dialeto de um único falante, o único sobrevivente do Século Vazio. Imu pode ter ouvintes, mas há 800 anos fala sozinho. A “não evolução” de sua linguagem é a prova disso.

O rei do mundo que silencia vozes e apaga luzes, mostrado como uma sombra negra cuja voz, embora audível, não é realmente ouvida por ninguém.

Muito obrigado por ler este extenso artigo que tentou esclarecer a origem e o significado de “Nushia” a partir da língua, e não de teoria especulativa. Compartilhe o artigo com todos os fãs de One Piece que ainda confundem esse termo e sigamos navegando juntos nesse grande mar de aventuras.

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····Os coloridos feitos por fãs, assim como as fanarts dos próprios criadores, têm sua assinatura ou marca d’água nos vídeos do YouTube. Se alguma estiver faltando, por favor me avise nos comentários do YouTube.
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